Déda vai receber 46 horas de medicação

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Déda recebeu ontem a primeira sessão de quimioterapia
Déda recebeu ontem a primeira sessão de quimioterapia

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Publicada em 03/10/2012 às 03:08:00

O câncer no estômago do governador Marcelo Déda abre a discussão quanto a prevenção e tratamento desse tipo de doença, além da importância da precocidade no diagnóstico do problema.

No governador de Sergipe, a doença foi detectada após exames realizados no início desta semana e ele fez ontem a primeira sessão de quimioterapia. De acordo com a equipe médica do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, estão previstas 46 horas de medicação no chamado "primeiro ciclo" do tratamento da doença.

Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil o câncer de estômago aparece em terceiro lugar na incidência entre homens e quinto entre as mulheres. A estimativa do INCA é que até o final deste ano sejam registrados 20 mil novos casos da doença.

A doença - Em entrevista, o gastroenterologista Gilvan Pinto explica detalhes sobre a doença. Segundo ele, em uma fase inicial há sintomas inespecíficos, como acontece em outras doenças, a exemplo de gastrite e úlcera, que são as dores abdominais localizadas na parte superior do abdômen, a famosa queimação, popularmente conhecida como azia.

"São sintomas simples, mas as pessoas, via de regra, começam a fazer automedicação e às vezes até negligenciar em relação ao quadro clínico em uma fase inicial. Em uma mais avançada já surgem outros sintomas, que são decorrentes da evolução mais avançada da doença, como perda de peso, anemia, falta de apetite e às vezes até hemorragia digestiva".  

As dores também podem se confundir com cólicas, nesse caso é mais comum em relação ao intestino, seja ele delgado ou grosso. "A dor mais localizada nas costelas, no meio do abdômen é do tipo queimação, ardência", esclareceu o médico.

O estômago é um órgão mais central do abdômen e na parte superior as dores intestinais são mais baixas. As doenças crônicas de fígado não evoluem com dor, e pâncreas tem uma dor mais intensa, de localização na parte mediana, no entanto com tendência de irradiação para as costas, para o dorso. Aquela dor mais persistente no nível do estômago, principalmente nos períodos dos intervalos entre as refeições e que melhoram com o uso da alimentação, muitas vezes são mais características para estômago que para intestino, pâncreas ou fígado.

Reincidência - Em todos os casos a evolução clínica vai depender da precocidade do diagnóstico, pois quanto mais precoce o diagnóstico estabelece-se protocolos até de tratamentos curativos em relação ao câncer. "Hoje existe uma mistificação no termo câncer como uma doença incurável. Não é uma doença incurável, o que é importante é a precocidade no diagnóstico", destacou Gilvan Pinto.

Em relação ao estômago tem lesões que a depender do tamanho elas são ressecadas endoscopicamente sem a necessidade de fazer cirurgia, então, o que vai ser importante é a precocidade. "Quando a gente trata de pacientes com recidivas muda a história da evolução natural da doença, como também muda o prognóstico. O câncer pode radiar para outros órgãos do aparelho digestivo e para órgãos à distância, as chamadas metástases, mas isso no câncer avançado, no precoce não", explicou.

Quando a lesão obstrui uma parte do estômago, mesmo sendo avançado, passa a ter indicação de tratamento cirúrgico para desobstrução e em seguida quimioterapia. E tem outras lesões que mesmo sem obstrução já tem inicio a quimioterapia para que aconteça uma diminuição do tamanho da lesão, para depois o paciente ser submetido à cirurgia.

"A sessão de quimioterapia entra no protocolo de tratamento, inicialmente em situação em que não tem uma indicação imediata de cirurgia. Mas nem sempre a quimioterapia é sinônimo de gravidade da doença, depende do local e do tipo do tumor. Tem tumores que independente da gravidade ou não o tratamento de inicio é a quimioterapia", informou Gilvan.